São Paulo — 20/04/2026. Na manhã desta segunda-feira, membros da torcida organizada Independente cercaram o carro do presidente Harry Massis Jr. na entrada do CT da Barra Funda, exigindo a demissão do executivo de futebol Rui Costa antes de qualquer decisão sobre o técnico Roger Machado. O protesto ocorre dois dias após a derrota de virada para o Vasco, em São Januário, e amplia a pressão sobre o departamento de futebol tricolor.
Foco da cobrança: gestão e mercado de contratações
Ao contrário de mobilizações anteriores, o alvo principal dos torcedores não foi o treinador. Os líderes da organizada argumentaram que Roger Machado — contratado por indicação de Rui Costa — “é um coitado” no atual cenário, responsabilizando a diretoria pela sequência de mudanças no comando técnico nos últimos anos (Hernán Crespo, Rogério Ceni e Luis Zubeldía passaram recentemente pelo cargo).
Nas palavras dos torcedores, o “jogo sujo” de pressionar treinadores se repete porque o planejamento esportivo não teria continuidade. A solicitação direta a Massis Jr. foi clara: Rui Costa precisa deixar o clube antes que qualquer nova troca aconteça no banco de reservas.
Histórico recente de instabilidade técnica
Desde 2021, o São Paulo já conta cinco comandos diferentes. A média de permanência de um treinador no período foi inferior a oito meses, segundo levantamento dos próprios torcedores. Essa rotatividade tem dificultado a implementação de uma identidade tática consistente.
Roger Machado, conhecido por linhas médias compactas e transições rápidas, tenta encaixar um 4-3-3 que aproveite a velocidade de Ferreirinha e Juan nos lados do campo, mas ainda sem resultados expressivos nesta temporada.
Raio-X de desempenho em 2026
- Eliminações: quartas de final do Campeonato Paulista.
- Brasileirão (3 rodadas): 1 vitória, 0 empates, 2 derrotas – 5 gols sofridos.
- Sequência atual: duas derrotas consecutivas (Vitória e Vasco).
- Última vitória fora de casa: 12/03, contra o Cuiabá.
- Defesa: não termina um jogo sem sofrer gols há quatro partidas oficiais.
Os números acima reforçam a impressão da torcida de que falhas estruturais persistem independentemente do treinador no cargo.
Impacto dos próximos compromissos
O calendário imediato acelera a necessidade de respostas internas:
Imagem: Internet
- 21/04 – Copa do Brasil (C): Juventude. Eliminatória em jogo único que pode aliviar ou agravar a pressão.
- 25/04 – Brasileirão (C): Mirassol. Adversário direto na metade da tabela; resultado influencia posicionamento e moral.
- 28/04 – Sul-Americana (F): Millionarios. Além de valer liderança no grupo, a partida impacta receitas de premiação.
Entregar performances convincentes nesses três confrontos pode resfriar o ambiente político. Uma nova sequência negativa tende a impulsionar mudanças na cúpula do futebol, conforme exigido publicamente pela organizada.
O que esperar dos bastidores tricolores
Mesmo sem responder aos torcedores na porta do CT, Harry Massis Jr. terá de se posicionar internamente. A continuidade de Rui Costa tornou-se o centro do debate e, caso a diretoria decida mantê-lo, o risco de nova ruptura com a organizada aumenta. Por outro lado, uma eventual troca no comando executivo abriria espaço para a permanência de Roger Machado e para um plano de médio prazo – algo que o São Paulo carece desde 2021.
Em síntese, a manifestação desta segunda-feira materializa a insatisfação acumulada com resultados e planejamento. A resposta da diretoria, aliada ao desempenho em campo na Copa do Brasil, indicará se o clube caminhará para mais um ciclo de mudanças ou para a consolidação de um projeto esportivo estável.
Com informações de ESPN Brasil