Manchester, 2024 – Thiago Alcântara, recém-aposentado e prestes a atuar em um amistoso beneficente do Liverpool contra o Borussia Dortmund neste sábado (data local), comparou publicamente os estilos de Pep Guardiola e Jürgen Klopp, técnicos que o comandaram no Bayern de Munique e nos Reds, respectivamente. Em entrevista ao projeto Coaches’ Voice, o ex-meio-campista resumiu as diferenças em duas palavras: “controle” e “energia”.
Por que essa declaração importa agora?
O depoimento surge em meio ao primeiro evento que reunirá Thiago e Klopp após a saída simultânea de ambos de Anfield, no fim da temporada 2023/24. A fala serve como um retrato de duas das escolas táticas mais influentes da última década: a posse posicional de Guardiola e o gegenpressing de Klopp.
As chaves táticas segundo Thiago
Guardiola – Controle pré-caixa: “Regras que temos de seguir antes de chegar à área final, aí vem a liberdade”, relatou Thiago. No Bayern (2013-2016), o espanhol estruturava a saída com três jogadores, mantinha posse média de 67% e reduzia o ritmo em zonas de criação para gerar quebras de marcação através de superioridade numérica.
Klopp – Conforto no caos: “Queremos estar confortáveis na desordem”, explicou o hispano-brasileiro. Em Liverpool (2020-2024), a prioridade era acelerar logo após recuperar a bola: passes verticais imediatos e pressão “cage” — cercar o portador em menos de 5 segundos.
Raio-X estatístico
Bayern de Guardiola (Bundesliga 2013-2016)
• Posse média: 67%
• Gols sofridos/temporada: 18,3
• Passes certos por jogo: 690
Liverpool de Klopp (Premier League 2020-2023*)
• Passes por Ação Defensiva (PPDA): 8,5
• Recuperações em campo adversário: 47/jogo
• Velocidade média dos ataques: 1,74 m/s
*Recorte engloba período em que Thiago fez 68 das suas 98 partidas pelos Reds.
Imagem: Lars Bar
Impacto no desenvolvimento de Thiago
Alto entrelinhas sob Guardiola, Thiago atuava como “segundo construtor”, melhorando índice de passes progressivos (7,1 por 90 min). Já com Klopp foi recuado a primeiro volante de pressão, elevando tackles + interceptações para 4,3 por 90 min. O jogador afirma ter “absorvido o melhor de dois mundos”.
O legado para Liverpool e Manchester City
Após sua aposentadoria, Thiago tornou-se referência para compreender a transição que o Liverpool precisará fazer no pós-Klopp. Do outro lado, Guardiola segue no Manchester City aperfeiçoando o modelo de posse que pôs em prática no Bayern. As palavras de Thiago reforçam como ambos os técnicos permanecem polos opostos — mas complementares — no debate tático contemporâneo.
Próximos capítulos: a presença de Klopp no amistoso deste fim de semana reacende especulações sobre um possível retorno futuro ao banco, enquanto Guardiola encara a reta final da Premier League. As filosofias descritas por Thiago continuarão influenciando os elencos que buscam equilibrar intensidade física e domínio técnico — quesitos cada vez mais decisivos em competições europeias.
Com informações de Manchester Evening News