Zinedine Zidane e a Federação Francesa de Futebol chegaram a um acordo para que o ex-meia seja o próximo técnico da seleção, assumindo o cargo logo após a Copa do Mundo de 2026, que acontece entre junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.
Por que a federação acelera a transição pós-Deschamps?
Didier Deschamps levou os Bleus ao título mundial em 2018 e ao vice em 2022, mas o sentimento interno é de estagnação criativa. Com uma geração jovem repleta de atacantes versáteis — Kylian Mbappé, Michael Olise, Ousmane Dembélé, Rayan Cherki, Hugo Ekitiké, Marcus Thuram, Bradley Barcola, entre outros —, a direção entende que é preciso um treinador capaz de fomentar futebol propositivo. Zidane, ícone técnico e motivacional, encaixa nesse perfil e estava livre desde 2021 à espera do convite certo.
O legado tático de Zidane no Real Madrid
Em duas passagens (2016-2018 e 2019-2021), Zidane somou três Champions League consecutivas e dois títulos de LaLiga. Sua base era um 4-3-3 sustentado pela força dos laterais (Marcelo e Carvajal) e pela trinca Casemiro-Kroos-Modrić. Quando lesões de Gareth Bale exigiram ajustes, mudou para o 4-3-1-2, transformando Cristiano Ronaldo em segundo atacante para atacar espaços internos. Na segunda etapa, testou linha de 3 zagueiros e promoveu jovens como Vinícius Júnior, Valverde e Militão, demonstrando flexibilidade.
Raio-X do treinador
- Jogos como técnico do Real Madrid: 263
- Vitórias: 174 (66%)
- Empates: 53 | Derrotas: 36
- Títulos: 11 (3 UCL, 2 LaLiga, 2 Mundiais de Clubes, 2 Supercopas da UEFA, 2 Supercopas da Espanha)
- Média de gols marcados por jogo: 2,1 | Sofridos: 0,9
Como Zidane pode potencializar Mbappé e companhia
Mbappé, mesmo listado como centroavante, prefere infiltrar a partir da esquerda — zona em que Cristiano Ronaldo reinou sob Zidane. O francês pode repetir o modelo:
- 4-3-3 flexível: Mbappé parte da ala esquerda e fecha em dupla com um 9 de referência (Thuram ou Ekitiké). Dembélé pode abrir campo à direita, enquanto laterais ofensivos (Theo Hernández e Malo Gusto) dão profundidade.
- 4-4-2 losango: se optar por dois atacantes móveis, Olise ou Cherki podem ser o “10”, liberando Mbappé da recomposição.
- Busca por um “novo Kroos”: Tchouaméni, Camavinga e Rabiot oferecem força, mas falta um passador de ritmo. Nomes como Enzo Le Fée ou Warren Zaïre-Emery, já monitorados, podem preencher a lacuna a médio prazo.
Impacto imediato no calendário
Se confirmado, Zidane estreará na nova Liga das Nações, em setembro de 2026, janela estendida de 16 dias. O torneio servirá como laboratório para:
Imagem: Zuma
- Testar a convivência Mbappé + ponta direita + 9 de área;
- Definir quem herda o papel de Casemiro — Tchouaméni larga na frente;
- Dar minutos aos “sub-23” que estouraram em clubes europeus em 2025/26.
Conclusão prospectiva: a chegada de Zidane representa mais do que troca de comando; é uma tentativa de alinhar talento ofensivo a um técnico acostumado a lidar com estrelas e decisões. A forma como ele adaptará o sistema para Mbappé será o primeiro termômetro. Até setembro, a expectativa deve crescer, e cada convocação indicará se os Bleus caminham para repetir a hegemonia do Madrid tricampeão sob o mesmo líder.
Com informações de Trivela