Relatório aponta novos problemas em cidades-sede da Copa do Mundo nos Estados Unidos

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Quem: American Hotel and Lodging Association (AHLA)  |  O quê: 80% dos hotéis relatam reservas abaixo do esperado  |  Quando: relatório divulgado em 4 de maio de 2026  |  Onde: 11 cidades-sede norte-americanas da Copa do Mundo  |  Por quê: vistos, preços e cancelamentos de quartos pela FIFA afetam a procura.

O que diz o relatório da AHLA

Com base em 205 respostas de operadores e proprietários, a AHLA identificou que quase 80% dos estabelecimentos enfrentam demanda inferior às projeções iniciais para o período da Copa do Mundo de 2026. A entidade representa mais de 30 mil propriedades em todo o território norte-americano.

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Raio-X das reservas por cidade

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San Francisco, Seattle, Filadélfia e Boston concentram o maior pessimismo: mais de 70% dos hotéis reportam procura aquém do previsto. Em Los Angeles, Nova York, Houston e Dallas, o índice cai para cerca de 60%. Os mercados relativamente mais otimistas são Miami (pouco acima de 50% de baixa demanda) e Atlanta (ligeiramente abaixo desse patamar).

Causas apontadas: vistos, geopolítica e preços locais

Os entrevistados citam como principais barreiras:

  • Requisitos de visto: torcedores de quatro países participantes enfrentam restrições diretas; outros precisam depositar até US$ 15 mil como caução.
  • Incertezas geopolíticas: tensões internacionais reduzem a confiança do turista estrangeiro.
  • Custo de deslocamento interno: o polêmico bilhete de trem de US$ 150 da New Jersey Transit para o MetLife Stadium foi citado como exemplo de encarecimento da experiência.

Efeito dominó das reservas da FIFA

Segundo a AHLA, a FIFA bloqueou “milhares” de quartos e, mais tarde, exerceu cláusula que permitia cancelar parte dessas reservas. O cancelamento ultrapassou 70% do estoque contratado em Boston, Dallas, Los Angeles, Filadélfia e Seattle, distorcendo previsões de receita, planos de contratação e acordos locais.

A FIFA rebateu, afirmando que os prazos contratuais foram respeitados e que mais de cinco milhões de ingressos já foram vendidos, sinalizando “demanda sem precedentes”.

Comparativo histórico

Brasil 2014: cidades-sede registraram ocupação média de 90% nos jogos da seleção brasileira, segundo o Ministério do Turismo.

Rússia 2018: Moscou e São Petersburgo superaram 85% de ocupação, de acordo com a Associação Russa de Hotéis.

EUA 2026: a pesquisa atual indica que, a pouco mais de dois anos do torneio, ainda há significativo espaço disponível — cenário atípico em comparação aos mundiais anteriores.

Impacto futuro: o que pode mudar até o apito inicial

A queda nas reservas ameaça a projeção de US$ 30 bilhões de impacto econômico defendida publicamente por Gianni Infantino. Caso o fluxo internacional não aumente, o gasto médio por visitante pode migrar para o turismo doméstico, historicamente responsável por tíquetes mais baixos.

Com a janela final de venda de ingressos programada para o 2º semestre de 2025 e a definição completa da tabela detalhada, hotéis devem readequar preços para atrair o torcedor de última hora. Uma revisão dos processos de visto — especialmente o “FIFA Pass” — também pode influenciar a curva de reservas.

Conclusão prospectiva: mantendo-se o ritmo atual, as cidades-sede precisarão de estratégias de precificação dinâmica e pacotes integrados (ingresso + transporte + hospedagem) para reduzir o risco de subocupação. O comportamento do mercado será monitorado trimestre a trimestre; ajustes no sistema de vistos e eventuais promoções pós-sorteio das chaves podem alterar o cenário antes do pontapé inicial em junho de 2026.

Com informações de Trivela

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