34% do mundo não verá a Copa do Mundo? Fifa enfrenta problemas para transmissão

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FIFA ainda não fechou os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 para China e Índia, revelou a agência Reuters em 10/05/2026. A menos de dois anos do pontapé inicial nos Estados Unidos, Canadá e México, os dois mercados mais populosos do planeta — que somam cerca de 2,8 bilhões de pessoas — seguem sem emissora definida.

Por que o impasse acontece?

Segundo o portal The Athletic, a entidade pediu valores considerados altos pelas principais empresas de mídia de ambos os países:

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  • Índia: proposta inicial de US$ 100 milhões pelo pacote 2026/2030 foi recusada; a joint venture JioStar ofereceu apenas US$ 20 milhões.
  • China: o preço partiu de US$ 250 milhões e já caiu para US$ 80 milhões sem acordo com a CCTV.
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Na Índia, os grupos priorizam recursos para renovar a Indian Premier League (IPL) de críquete, ativo número 1 do país. Na China, o obstáculo é a percepção de que o valor não reflete o cenário econômico local pós-pandemia.

Fuso horário: um complicador adicional

Com jogos agendados para a América do Norte, a maioria das partidas ocorrerá durante a madrugada indiana (GMT+5h30) e no início da manhã chinesa (GMT+8h). Na Copa do Catar, a diferença era menor, o que facilitou a entrega de audiência em horário nobre. Horários desfavoráveis reduzem o preço do espaço publicitário, pressionando ainda mais as negociações.

Raio-X dos números

  • Alcance global da Copa 2022: 5 bilhões de visualizações; a China respondeu por 17,7% desse total.
  • Audiência digital 2022: quase metade das horas vistas on-line veio da China.
  • Índia 2022: JioCinema saltou de 3 mi para 23 mi de visitantes únicos, mas arrecadou só US$ 30 mi em publicidade após pagar US$ 60 mi pelos direitos.
  • Projeção 2026: formato expandido para 104 jogos pode gerar mais de 7 bilhões de minutos assistidos, mas sem China e Índia a meta de alcance global fica ameaçada.

Impacto para patrocinadores e receita da FIFA

A entidade depende de três pilares comerciais: direitos de TV (56% da receita no ciclo 2019-2022), patrocínios e hospitalidade. Sem a garantia dos mercados chinês e indiano, estimativas internas apontam risco de queda de até US$ 400 milhões na previsão de US$ 3,1 bilhões em vendas de mídia para 2023-2026. Isso pressiona pacotes de patrocínio global, que valorizam a exposição em grandes praças asiáticas.

O que pode acontecer a seguir?

Com o calendário ficando apertado, a FIFA tem três caminhos prováveis:

  1. Reduzir ainda mais o preço para fechar com CCTV e JioStar, preservando volume de audiência.
  2. Buscar plataformas digitais globais — como YouTube ou Amazon — para transmissão direta ao consumidor, inaugurando um modelo OTT first nos mega-eventos.
  3. Apostar em sublicenciamento regional de última hora, correndo risco de pirataria e menor controle sobre a produção de sinal.

Conclusão: a indefinição pode remodelar a estratégia comercial da FIFA para além de 2026. Se a entidade ceder no preço, abre precedente para outros mercados negociarem em bloco; se mantiver a pedida, corre o risco de iniciar a Copa com o vácuo inédito de um terço da população mundial desconectada do maior evento do futebol. Os próximos meses serão decisivos para medir o alcance real e o peso financeiro do novo formato expandido.

Com informações de Trivela

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