Quem, o que, quando, onde e por quê — Em coletiva concedida no início desta semana na Cidade do Galo, o diretor executivo Bracks voltou a justificar o rendimento abaixo do esperado do Atlético-MG na temporada de 2024. Enquanto isso, o técnico Eduardo Domínguez tenta, em meio a oscilações de desempenho como a derrota para o Vitória e a resposta mais intensa diante do São Paulo, encontrar alternativas em um elenco que pouco utiliza seus reforços de início de ano.
Coletiva reflete a lacuna entre planejamento e realidade
Ao optar por comparar o Atlético a outros clubes e ressaltar que também é “torcedor”, Bracks recorreu a argumentos genéricos e manteve o tom de autodefesa já observado em entrevistas anteriores. O dirigente citou “processo de adaptação” para explicar a baixa participação de Preciado, Tomás Pérez, Minda e Cassierra, jogadores contratados justamente para suprir necessidades imediatas em setores críticos.
Na prática, entretanto, Domínguez segue sem peças de reposição confiáveis, sobretudo nas funções de lateral direito e centroavante. O resultado é um time que alterna lapsos de competitividade com apresentações de pouca intensidade — quadro típico de um elenco em que a concorrência interna não se traduz em minutos de jogo.
Raio-X dos reforços: participação ainda irrelevante
• Somados, os quatro recém-chegados participaram de menos de 10% do total de minutos que o Atlético disputou desde que foram regularizados no BID.
• Nenhum deles iniciou duas partidas consecutivas como titular.
• Na mesma janela, o Galo marcou em média 1,1 gol/jogo, número inferior ao de 2023, quando a equipe encerrou o Brasileirão com média de 1,21.
Possíveis saídas e retornos: efeitos colaterais no curto prazo
A coletiva também levantou dúvidas sobre o futuro de Junior Alonso, cuja permanência foi classificada como “em avaliação”. Caso o zagueiro deixe o clube, Domínguez perderá um defensor que participou de mais de 70% dos minutos em 2023. Já os nomes de Matías Galarza e Kevin Lomónaco voltaram ao radar, mas dependem de acordos com clubes terceiros e janela de transferências, o que inviabiliza impacto imediato.
Do Vitória ao São Paulo: a montanha-russa de intensidade
1) Contra o Vitória, o Atlético apresentou índices de pressão pós-perda 25% inferiores à média do campeonato, perdeu 60% das disputas de bola no terço final e finalizou apenas duas vezes a gol. Resultado: derrota e críticas à postura.
2) Três dias depois, diante do São Paulo, o time aumentou em 18% a frequência de duelos vencidos e terminou com cinco finalizações no alvo, mostrando que a mudança de atitude é possível, mas ainda inconsistente.
Imagem: Pedro Souza
O que está em jogo nos próximos compromissos
O Galo encara uma sequência direta contra adversários que brigam pela parte de cima da tabela. Cada ponto perdido agora amplia a dependência de um sprint final — cenário semelhante ao de 2023, quando a equipe precisou de uma arrancada nas últimas rodadas para garantir vaga na Libertadores. Manter a postura vista diante do São Paulo e integrar rapidamente os reforços são passos obrigatórios para evitar nova corrida contra o relógio.
Conclusão prospectiva — A coletiva de Bracks escancarou que, sem respostas concretas no mercado ou no laboratório tático de Domínguez, o Atlético-MG corre o risco de repetir o roteiro de frustração recente. A resposta virá no campo: se a rotação de elenco não aumentar e a intensidade oscilar, o discurso seguirá sendo desmentido a cada rodada.
Com informações de Fala Galo