Título espanhol do Barcelona expõe como Real Madrid precisa de um técnico como Hansi Flick

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Barcelona 2 x 0 Real Madrid, Camp Nou, 35ª rodada da LaLiga 2025/26 — Com três jogos de antecedência, o Barcelona assegurou neste domingo (10/05/2026) o segundo título espanhol consecutivo sob o comando de Hansi Flick. A vitória direta sobre o vice-líder Real Madrid não só selou a taça como evidenciou a diferença de gestão de elenco e de soluções táticas entre os rivais.

Por que o bicampeonato de Flick vai além das pranchetas

Desde que chegou à Catalunha, em julho de 2024, Flick não recebeu grandes investimentos: o clube desembolsou € 88 milhões em contratações, menos de um terço dos € 216,5 milhões gastos pelo Real Madrid no mesmo período. Ainda assim, construiu um time capaz de se adaptar a uma maratona de lesões — de Raphinha a Pedri — sem comprometer o modelo de jogo.

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O alemão recorreu à base (La Masia) e promoveu 12 estreias em duas temporadas. Entre elas, destacam-se:

  • Gerard Martín – lateral que virou zagueiro e garantiu saída de bola à esquerda;
  • Marc Bernal e Fermín López – meio-campistas que alternaram funções internas e aberto como falso ponta;
  • Marc Casadó – volante de contenção usado para fechar a frente da área em jogos grandes.

Essa versatilidade explica por que o Barça mantém, até aqui, a melhor defesa do torneio (apenas 24 gols sofridos*) e o segundo melhor ataque, mesmo sem um “onze” titular fixo.

Raio-X ofensivo: a rotação entre Lewandowski e Ferran Torres

Com o declínio físico de Robert Lewandowski, Flick instituiu duelos de característica:

  • Lewa nos duelos contra blocos baixos e bola aérea;
  • Ferran Torres em partidas que exigem ataques em profundidade.

O resultado é objetivo: 29 gols combinados na Liga, a melhor soma de uma dupla culé desde Suárez-Messi em 2018/19*.

O Real Madrid e o “efeito plano B” ausente

No Bernabéu, a lista de lesões foi similar — Éder Militão, Jude Bellingham, Kylian Mbappé e Rodrygo perderam longas sequências —, mas as respostas de Xabi Alonso e, depois, Álvaro Arbeloa foram menos agressivas. Os treinadores mantiveram o 4-3-3 tradicional, sem promover jovens de La Fábrica além do eventual Gonzalo García, e viram o time encerrar a temporada sem títulos pela primeira vez desde 2020/21.

Os números resumem a diferença de flexibilidade:

  • Jogadores utilizados em posições fora da origem: Barça 7 | Real 2;
  • Estreias da base: Barça 12 | Real 4;
  • Pontos conquistados após sair atrás no placar*: Barça 14 | Real 5.

Comparativo financeiro e de resultado

Desde julho/24

Clube Investimento em reforços (€ mi) Títulos conquistados
Barcelona 88 LaLiga 24/25 e 25/26 + 3 copas*
Real Madrid 216,5 0

*títulos listados publicamente pelo clube (Supercopa da Espanha 2025, Copa do Rei 2025, Supercopa 2026)

Impacto futuro: mercado, continuidade e pressão em Madri

O presidente Joan Laporta já sinalizou a intenção de ampliar o vínculo de Flick até 2028, mantendo a aposta em jovens talentos para reduzir a folha salarial. Do lado merengue, a diretoria estuda nomes capazes de repetir o “princípio da adaptabilidade” que hoje falta: um perfil à la Flick, com histórico de gestão de elenco curto, pode ganhar força em detrimento de soluções imediatistas como José Mourinho.

Se mantiver a média de 2,23 pontos por jogo* e a integração crescente da base, o Barcelona chegará em 2026/27 como favorito à Tríplice Coroa. Já o Real precisa, nas próximas semanas, alinhar departamento médico, mercado e filosofia de jogo para voltar a competir internamente e, sobretudo, na Champions League.

Em síntese, o bicampeonato blaugrana não é apenas a validação do trabalho de Hansi Flick; ele serve de estudo de caso de como diversidade tática e coragem para usar a base podem superar orçamentos mais robustos. A pré-temporada de julho promete ser o primeiro capítulo dessa nova corrida estratégica na Espanha.

Com informações de Trivela

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