São Paulo (SP) — A Justiça do Trabalho condenou o Sport Club Corinthians Paulista a pagar cerca de R$ 3 milhões ao ex-lateral direito Daniel Marcos, 23 anos, que encerrou a carreira devido a uma lesão sofrida ainda nas categorias de base alvinegras. A decisão, revelada pelo ge, inclui honorários advocatícios de R$ 149 mil e será corrigida pela Selic, podendo elevar a conta para algo próximo de R$ 3,5 milhões.
Por que o Corinthians foi condenado
Segundo consta no processo, a defesa de Daniel Marcos alegou que a lesão — sofrida em partida da categoria sub-20 — comprometeu de forma permanente sua capacidade de atuar como atleta profissional. A Justiça reconheceu o nexo entre o dano físico e o fim precoce da carreira, responsabilizando o clube pelo pagamento de indenização por lucros cessantes e danos morais.
Impacto financeiro: mais pressão sobre um passivo bilionário
O débito chega em meio a um cenário de forte restrição orçamentária. De acordo com o balanço financeiro referente a 2023, o Corinthians encerrou a temporada com dívida total bruta próxima de R$ 1,9 bilhão, sendo parte relevante composta por obrigações trabalhistas e cíveis.
Processos de ex-jogadores como René Júnior, Paolo Guerrero e Jucilei já provocaram bloqueios de receitas nos últimos anos. Agora, o clube corre o risco de novos arrestos de cotas de televisão ou premiações caso o valor não seja quitado espontaneamente ou objeto de acordo.
Raio-X de Daniel Marcos e o histórico da base do Timão
- Formação: atleta chegou ao Parque São Jorge ainda no sub-11 e passou por todas as categorias de base.
- Sub-20: participou de competições nacionais entre 2018 e 2020, mas não estreou oficialmente na equipe principal.
- Posição: lateral direito com características de apoio ofensivo, função hoje ocupada no profissional por Fagner, Rafael Ramos e Matheus França.
- Precedente: casos semelhantes de lesão na base envolvendo outros clubes costumam resultar em indenizações quando comprovada responsabilidade patronal.
Efeito dominó jurídico e o planejamento do elenco
Embora a sentença não afete diretamente a montagem do elenco de 2024, ela reduz margem para investimentos em contratações ou renovações estratégicas. A direção alvinegra já trabalha com teto de folha salarial próximo a R$ 17 milhões mensais e aposta em atletas formados no clube para equilibrar finanças e desempenho.
O departamento jurídico poderá recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas o histórico de acordos semelhantes indica tendência a negociação para evitar bloqueios futuros.
Imagem: Agencia SCCP
Próximos passos: caso o clube não deposite os valores em juízo, o processo avança para fase de execução, com possibilidade de penhora de receitas; paralelamente, a diretoria busca alongar dívidas e melhorar fluxo de caixa antes da janela de transferências do meio do ano.
Com a nova condenação, o Corinthians adiciona mais uma pendência milionária ao seu orçamento já comprometido, pressionando a diretoria a encontrar soluções rápidas para cumprir a sentença sem comprometer o planejamento esportivo de 2024.
Com informações de SOU TIMÃO