Belo Horizonte, 1.º de junho de 2026 — O Cruzeiro foi o clube brasileiro que mais aumentou suas receitas comerciais entre 2024 e 2025, segundo o relatório Convocados, elaborado por Convocados Gestão e Futebol, Outfield Inc. e Galapagos Capital. A variação positiva foi de R$ 256 milhões, elevando a arrecadação celeste nesse segmento para R$ 332 milhões e superando os demais times do país.
Por que a receita comercial cruzeirense disparou?
Três fatores públicos ajudam a explicar a guinada:
- Novo controlador: a entrada de Pedro Lourenço na SAF, em 2024, trouxe capital fresco e facilitou a captação de patrocínios, capitalizando a rede de contatos do empresário que comanda a rede de supermercados BH.
- Pacote de patrocínios máster: acordos com empresas dos setores de apostas esportivas, varejo e serviços financeiros elevaram a cota principal do uniforme, aumentando o tíquete médio por contrato.
- Exploração de propriedades digitais: expansão de conteúdos em plataformas de streaming e redes sociais monetizadas, tendência que cresce no futebol brasileiro.
Raio-X: evolução das receitas comerciais 2024 → 2025
O relatório listou os 20 clubes com maior variação. Veja o Top-10 em milhões de reais:
- Cruzeiro: +256 (de R$ 76 mi para R$ 332 mi)
- Flamengo: +97
- Internacional: +55
- Vasco: +55
- São Paulo: +51
- Fluminense: +50
- Palmeiras: +50
- Santos: +49
- Red Bull Bragantino: +44
- Grêmio: +44
Enquanto isso, Corinthians (-25 mi) e Atlético-MG (-13 mi) registraram retração, evidenciando a disparidade na gestão de ativos comerciais entre os grandes centros.
Impacto direto na saúde financeira e no campo
O fluxo adicional de recursos tem efeitos práticos e mensuráveis:
Imagem: Gustavo Martins
- Folha salarial competitiva: com maior capacidade de pagamento, o Cruzeiro já ampliou seu teto de contratações em 2025 e elevou a disputa por atletas acima da média de mercado.
- Redução de endividamento: parte dos novos ingressos vem sendo direcionada para amortizar passivos herdados, o que melhora o rating de crédito da SAF e barateia captações futuras.
- Investimento em infraestrutura: segundo a diretoria, a modernização da Toca da Raposa II e a ampliação do departamento de ciência de dados estão na lista de prioridades financiadas por essa receita.
O que esperar para 2026?
Com a temporada 2026 em andamento, a injeção de R$ 256 milhões em receitas comerciais cria margem para um elenco mais profundo, reforços pontuais nas janelas de meio de ano e maior estabilidade para a comissão técnica. Se mantiver o ritmo de crescimento — ainda 50% inferior às receitas comerciais do Flamengo em valores absolutos — o Cruzeiro tende a consolidar-se entre os cinco maiores faturamentos do país, condição crucial para disputar títulos de elite e vagas constantes na Libertadores.
Em resumo, a aceleração de receitas comerciais sob Pedro Lourenço não apenas equilibra as contas celestes, mas também redesenha o patamar competitivo do clube para as próximas temporadas. A sustentabilidade desse crescimento será monitorada de perto pelo mercado a cada novo balanço financeiro.
Com informações de Diário Celeste