Paris (25/03/2026) – O técnico Didier Deschamps confirmou em coletiva que a França enfrentará o Brasil nesta quinta-feira (26), às 17h de Brasília, com quatro atacantes em campo: Kylian Mbappé como referência central, Rayan Cherki articulando por dentro e a dupla Ousmane Dembélé e Michael Olise nas pontas. Segundo o treinador, a ideia é “não abrir mão” da força ofensiva, desde que a equipe mantenha equilíbrio defensivo.
Por que Deschamps aposta em quatro atacantes?
Desde a Copa do Mundo de 2022, os Bleus exibem um elenco com excesso de talento do meio para frente. A ausência de um meio-campista criativo clássico levou Deschamps a testar, em 2025, um losango móvel que libera seus pontas para flutuar. Com Cherki recuando para armar e Mbappé fixando zagueiros, o técnico procura:
- Aproveitar a profundidade de Dembélé e Olise, especialistas em desequilíbrio no um contra um.
- Gerar superioridade numérica entrelinhas, onde Cherki pode servir passes curtos e infiltrações.
- Explorar a velocidade de transição, marca registrada da França que liderou a Europa nas Eliminatórias com média de 3,2 gols por jogo.
Dilema do equilíbrio: como proteger a defesa?
Com quatro homens adiantados, a principal preocupação é a recomposição. Deschamps explicou que a posse de bola será o “escudo” da retaguarda francesa. A tendência é ver Tchouaméni (ou Camavinga) como volante único, recuando entre os zagueiros para construir e dar suporte quando a bola se perde. Nas laterais, Theo Hernández e Koundé devem alternar subidas para evitar exposição simultânea.
Raio-X dos protagonistas
Média de gols (última temporada em clubes)
- Mbappé – 0,77 gol/jogo (PSG)
- Dembélé – 0,21 gol + 0,39 assistência/jogo (PSG)
- Olise – 0,29 gol + 0,41 assistência/jogo (Crystal Palace)
- Cherki – 0,24 participação direta em gol/jogo (Lyon)
França nas Eliminatórias da Euro 2028
- 29 gols marcados (melhor ataque)
- 3 gols sofridos (segunda melhor defesa)
- 80% de posse média nas partidas em que utilizou o esquema 4-2-4 híbrido
O que o Brasil pode explorar
A Seleção Brasileira, de olho nos espaços nas costas dos laterais franceses, tende a acionar pontas velozes. Se a pressão alta da França falhar, Casemiro (ou André) terá liberdade para lançamentos nas costas de Theo Hernández. Além disso, o pivô de Mbappé pode ser neutralizado com linha de zaga compacta e volante afundando entre os zagueiros.
Imagem: Anthy Bibard
Próximos passos: projeção para Copa 2026
O amistoso serve como benchmark para Deschamps avaliar se o quarteto ofensivo é sustentável contra seleções de elite. Após encarar o Brasil, os franceses medem forças com a Colômbia e, no meio do ano, iniciam a Copa no Grupo I (Senegal, Noruega e vencedor da repescagem). Caso o 4-2-4 se mostre competitivo, a França chegará aos Estados Unidos como candidata a repetir a eficiência ofensiva de 2018, mas precisará confirmar que a retaguarda não ficará exposta como em parte da campanha de 2022.
Em resumo, a aposta ousada de Deschamps maximiza o talento de um elenco único, mas somente o teste contra um Brasil de cinco estrelas indicará quão alto essa França pode voar em 2026.
Com informações de Trivela