‘Fui tratado como um rei’: A esquecida passagem de Jairzinho pela África do Sul

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Joanesburgo (17/11/1975) – Em novembro de 1975, o atacante brasileiro Jairzinho, campeão mundial de 1970, desembarcou em Joanesburgo para cumprir um contrato relâmpago de apenas quatro partidas pelo Kaizer Chiefs, valendo US$ 40 mil, após deixar o Olympique de Marseille e sob suspensão de dois anos imposta pela Federação Francesa.

Por que Jairzinho escolheu a África do Sul?

O “Furacão da Copa” buscava minutos de jogo fora da Europa depois da punição por suposta agressão a um assistente na França. Do lado sul-africano, os Chiefs – fundados em 1970 por Ewert Nene e Kaizer Motaung – viam na chegada de um campeão mundial a chance de atrair atenção positiva em pleno regime do apartheid, quando o futebol servia de escape social para a população negra.

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Recepção de rei e estreia conturbada

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Logo no aeroporto, Jairzinho foi cercado por uma multidão. Entretanto, um impasse contratual atrasou o debute: o advogado Joaquim Reis barrou a escalação até que o clube quitasse parte do pagamento. A situação se resolveu, e em 6 de dezembro de 1975 o brasileiro estreou no empate por 3 × 3 contra a seleção da África do Sul, diante de público estimado em 100 mil pessoas. Marcou quatro vezes – dois gols foram anulados – e ainda deu a assistência para o terceiro gol dos Chiefs.

Raio-X da passagem relâmpago

  • Período de contrato: 17/11 a 15/12/1975 (4 jogos)
  • Gols válidos: 2 (mais 2 anulados)
  • Assistências: 1
  • Público da estreia: ~100 mil torcedores (recorde do clube à época)
  • Valor recebido: US$ 40 mil (≈ US$ 220 mil em valores corrigidos)
  • Idade declarada x real: disse ter 29, mas tinha 31 anos

Impacto na carreira de Jairzinho

O desempenho chamou atenção de clubes locais e da NASL, mas o acordo para jogar nos Estados Unidos não prosperou. No início de 1976, o atacante fechou com o Cruzeiro, onde somou 29 gols em 50 partidas e ajudou a Raposa a conquistar sua primeira Libertadores, mostrando que o ritmo mantido na África do Sul foi decisivo para manter sua competitividade.

Legado para o Kaizer Chiefs e para o futebol sul-africano

A presença de um astro mundial elevou o patamar de marketing do clube e inspirou outras agremiações a buscarem talentos estrangeiros, mesmo durante o isolamento político do país. Para os torcedores, a curta passagem de Jairzinho simbolizou resistência cultural em meio às restrições do apartheid e reforçou a imagem do Chiefs como time de massas.

Próximos desdobramentos: a experiência de 1975 serve de case ao Kaizer Chiefs sempre que o clube mira jogadores de renome internacional. Já Jairzinho, hoje embaixador de projetos sociais, mantém viva a memória desses 15 dias que conectaram o futebol brasileiro ao sul-africano e podem ser resgatados em futuras comemorações de meio século do clube em 2030.

Com informações de Trivela

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