NOVA JERSEY (EUA), 1º.abr.2026 — A seleção de Marrocos, agora dirigida por Mohamed Ouahbi, disputou dois amistosos na Data Fifa de março — empate em 1 a 1 com o Equador e vitória por 2 a 1 sobre o Paraguai — no Estádio Metropolitano (Madri) e no Benito Villamarín (Sevilha), respectivamente. Os testes foram os únicos compromissos antes da Copa do Mundo de 2026, que começa em junho no Canadá, Estados Unidos e México, e serviram para o novo comandante moldar o elenco que enfrentará Brasil, Haiti e Escócia no Grupo C.
Por que a troca de comando pouco antes do Mundial?
A Federação Marroquina de Futebol (FMF) viveu turbulência nos primeiros meses de 2026. Depois de conquistar no tribunal o título da Copa Africana de Nações, inicialmente perdido para Senegal em janeiro, o então técnico Walid Regragui pediu demissão em março. A entidade recorreu ao treinador da equipe sub-23, Mohamed Ouahbi, de 49 anos, repetindo o roteiro de 2022, quando também trocou o comando a poucos meses da Copa.
Padrão ofensivo e posse de bola: como jogou Marrocos
Ao contrário da postura reativa que surpreendeu no Catar em 2022, Ouahbi manteve a filosofia ofensiva que dominou o ciclo atual: construção a partir da posse, amplitude pelos laterais e quarteto agressivo na frente.
- Vs. Equador (1 x 1): dificuldades para sair da pressão alta equatoriana; empate nos acréscimos com cabeceio de El Aynaoui após falta cobrada por Achraf Hakimi.
- Vs. Paraguai (2 x 1): time misto, mas mesmo 4-2-3-1 com transições rápidas; gols de Bilal El Khannouss e El Aynaoui, novamente pelo alto.
Raio-X da Data Fifa de março
Resultados
• Equador 1 x 1 Marrocos – 26.mar
• Paraguai 1 x 2 Marrocos – 30.mar
Gols marroquinos
• El Aynaoui (Equador)
• El Khannouss e El Aynaoui (Paraguai)
Minutos em campo de destaques
• Achraf Hakimi: 180 min
• Issa Diop: 180 min
• Soufiane Rahimi: 60 min
Tendências táticas
1. Saída de três com Diop recuando entre os zagueiros laterais.
2. Laterais (Hakimi e Gessime Yassine) agudos para gerar superioridade pelas pontas.
3. Dependência de bolas paradas: 2 dos 3 gols surgiram assim.
Imagem: Ewen Gavet
O que isso significa para Brasil e Grupo C
O Brasil de Carlo Ancelotti estreia contra Marrocos em 13 de junho, no MetLife Stadium. A insistência africana na posse pode oferecer espaços para a transição ofensiva brasileira, mas o recurso aéreo — responsável por dois gols de El Aynaoui — expõe uma arma que exige atenção de zagueiros como Éder Militão. Além disso, Marrocos utiliza centroavante fixo (Rahimi ou alternativa similar), criando duelo físico direto com a defesa canarinho, algo ausente no ataque móvel testado por Ancelotti contra a França.
Próximos passos até a Copa
Sem novos amistosos confirmados, Ouahbi terá apenas sessões de treino no complexo de Nova Jersey para definir a lista final e consolidar a saída de bola sob pressão, principal calcanhar de Aquiles identificado diante do Equador. A evolução dessa mecânica será determinante para sustentar a proposta propositiva nos confrontos do Grupo C.
Conclusão prospectiva: A curta, porém reveladora, Data Fifa mostrou um Marrocos fiel à posse, eficiente nas bolas paradas e vulnerável à pressão alta. Se Ouahbi solucionar a saída sob marcação intensa, a equipe pode repetir — ou superar — a histórica quarta colocação de 2022. Caso contrário, o Brasil encontra brecha para dominar já na estreia, tornando os ajustes nas próximas semanas decisivos para o futuro marroquino no Mundial.
Com informações de Trivela