Quem: Gary Lineker, ex-artilheiro da Inglaterra e comentarista; o quê: afirmou que os Estados Unidos “não têm a menor chance” de vencer a Copa do Mundo de 2026; quando: declaração publicada em 03/06/2026 pelo The Athletic; onde: entrevista concedida em Londres; por quê: segundo o ex-jogador, a base norte-americana ainda não produz atletas do mais alto nível, comprometendo as ambições da equipe dirigida por Mauricio Pochettino.
Por que Lineker vê os EUA fora da rota do título
Lineker argumenta que a estrutura de formação nos Estados Unidos não acompanha a velocidade do crescimento de mercados como Inglaterra, Espanha ou Brasil. Para ele, o futebol permanece um esporte elitizado, concentrado em programas escolares custosos e distante do recrutamento em massa que caracteriza potências tradicionais. Sem uma “geração de ouro” pronta, o ex-atacante projeta que oitavas de final seriam um resultado realista, enquanto quartas já representariam “algo incrível”.
Histórico dos norte-americanos em Copas do Mundo
• 1930 – 3.º lugar oficializado posteriormente pela FIFA (melhor campanha)
• 2002 – Quartas de final, eliminados pela Alemanha
• 2010 – Oitavas de final
• 2014 – Oitavas de final
• 2018 – Não se classificaram
• 2022 – Oitavas de final, queda diante da Holanda
Desde 2002, a seleção venceu apenas um jogo de mata-mata em Copas (2-0 no México, oitavas de 2002). O dado reforça a leitura de Lineker de que falta casca competitiva em fases decisivas.
Raio-X atual da seleção dos EUA
Idade média projetada para 2026: 25,8 anos
Principais ligas de origem (estimativa 2026): 45 % MLS, 35 % Europa Top-5, 20 % outras
Jogadores com experiência em Champions League: 7
Títulos de Gold Cup: 7 (o último em 2021)
Ranking FIFA (maio/2026): 15.º lugar
Apesar de nomes consolidados — Christian Pulisic, Weston McKennie, Giovanni Reyna e Sergiño Dest — o elenco carece de profundidade em posições-chave, sobretudo na defesa central e na criação de jogo no terço final.
Imagem: IMAGO
O caminho no Grupo favorável: Turquia, Austrália e Paraguai
O sorteio colocou os norte-americanos em uma chave considerada acessível. Com o formato de 48 equipes, avançam os dois primeiros de cada grupo e oito dos 12 terceiros colocados. Estatisticamente, um time com quatro pontos tem mais de 80 % de chance de classificar. Logo, a tendência é que os EUA cheguem ao mata-mata — etapa em que começam, de fato, os testes apontados por Lineker.
Impacto para Pochettino e para o mercado interno
Desde que assumiu em 2025, Mauricio Pochettino estabeleceu uma filosofia de intensidade semelhante à que aplicou no Tottenham. Sua missão imediata é equilibrar o jogo posicional da equipe e reduzir a dependência de transições rápidas. A declaração de Lineker adiciona pressão externa, mas também serve de combustível para a Federação: somente resultados consistentes em 2026 podem acelerar a expansão do futebol nos Estados Unidos, atrair novos investidores à MLS e impulsionar reformas no sistema de base.
Conclusão prospectiva: Com um grupo acessível, apoio da torcida e um técnico de renome, os Estados Unidos têm caminho aberto até as oitavas — talvez quartas se a chave se alinhar. Contudo, para contrariar o prognóstico de Gary Lineker e sonhar além, o país precisará mostrar em casa algo que ainda não conseguiu exportar: profundidade técnica nas quatro fases do jogo. O desempenho de 2026 poderá definir quanto tempo levará para o futebol deixar de ser “esporte minoritário” e se tornar, de fato, protagonista no cenário esportivo norte-americano.
Com informações de Trivela